terça-feira, 26 de julho de 2022

Louis Vuitton, o aprendiz que construiu um Império

Como nasce um negócio de sucesso? Podemos responder essa pergunta de diversas maneiras, mas certamente exige-se, basicamente, dois requisitos: inovação e um excelente conhecimento do seu ramo. É evidente que junto a essas duas qualidades há uma série de habilidades e modelos de gestão, mas em síntese nenhum bom empreendedor pode-se dar ao luxo de não conhecer bem seu segmento e muito menos abrir mão de criar algo novo, ajudando assim a melhorar a qualidade de vida dos seus clientes e diferenciando seu produto ou serviço.

Frente a isso, hoje conhecemos um dos empreendedores que foi um mestre na inovação e conhecimento do seu público. O resultado dessas duas qualidades não poderia ser menos do que o nascimento de uma das marcas mais famosas dos nossos tempos. Estamos falando de Louis Vuitton, o empreendedor que criou um império a partir das suas bolsas.

Quem foi Louis Vuitton?

A história do nosso empreendedor começa em uma pequena aldeia francesa chamada Jura, em 1821. Sua família tinha uma tradição no ramo da carpintaria, sendo grande parte dos seus familiares carpinteiros ou moleiros. Assim, do ponto de vista do jovem Louis, sua vida já estava toda desenhada: seguiria a profissão do pai e se tornaria também um carpinteiro. 

Pouco sabemos sobre seus primeiros anos de vida, mas podemos deduzir que a vida do infante Vuitton não devia ter uma grande perspectiva de mudança daquela realidade. Colocamos dessa maneira pois, por mais que não aceitemos totalmente a ideia de que o meio influencia o indivíduo, é perceptível que para um jovem do início do século XIX, vivendo na modesta região de Jura, não havia tantas opções a desfrutar, sejam elas de modelos de negócio a empreender ou profissões a seguir.

Porém, como a vontade do Ser Humano é capaz de mover montanhas, sabemos por meios das fontes históricas que por volta dos anos 1840 Louis Vuitton mudou-se para Paris. Seu objetivo nesse tempo era tornar-se um aprendiz de um fabricante de baús e dominar a arte da fabricação destes. 

O desejo de conhecer essa arte e saber como os pesados baús de viagem eram construídos o levou a formalizar seu ofício como um construtor dos objetos de madeira. À medida que dominava a técnica de construção, porém, Louis Vuitton percebeu que o produto que ele construía carecia de muitas melhorias, o que lhe rendeu diversas ideias de como poderia aperfeiçoar algo que já existia na tradição europeia.

Lembremos, antes de aprofundarmos no sucesso de Louis Vuitton, um pouco sobre o contexto em que o nosso empreendedor estava inserido. A sociedade francesa do século XIX começava a aspirar ares do que ficou conhecido como a Belle époque. Após décadas precisando restabelecer-se da revolução francesa e das guerras napoleônicas. Assim, a classe mais afortunada da sociedade francesa passava a desfrutar de viagens e para isso levava em suas carruagens os pesados baús contendo roupas, objetos pessoais e acessórios.

Apesar de cultivar um estilo de vida “moderno” para a época, toda a sociedade europeia utilizava os baús de viagem, um item que remontava à França do Antigo Regime e dos reis absolutistas. Pela necessidade logística de guardar os pertences, esse instrumento pouco havia mudado com os séculos e até então ninguém havia pensado que poderia-se construir um produto mais simples para facilitar o transporte dos bens pessoais.

O empreendedor Vuitton quebrando paradigmas

Compreendendo esse cenário e desejando mudá-lo, somente em 1854, cerca de dez anos após tornar-se aprendiz, Louis Vuitton abriu uma pequena oficina para tentar achar uma solução mais confortável para os viajantes. Foi assim, com um pequeno desejo que nascia, quase “sem querer”, uma das principais marcas de bolsas e malas do mundo. É notável, porém, que a iniciativa de Vuitton não teve nada de acaso, pois após uma década trabalhando no ramo o aprendiz certamente conhecia não apenas sua clientela, mas também as dificuldades e reclamações enfrentadas pelo produto.

Dessa forma, não a toa a primeira inovação realizada por Vuitton foi no material que revestia as malas: ao invés do couro, que ficava pesado e bastante úmido, prejudicando a madeira, passou a utilizar tecido impermeável. Esse ajuste por si só tornou as malas de Louis Vuitton extremamente atraentes para o público pelas suas vantagens comparadas às malas tradicionais. Nesse primeiro modelo também havia um reforço metálico, principalmente nas pontas das malas, para que seu encaixe não soltasse facilmente com o tempo de uso.

Não precisamos dizer que a criação de Louis Vuitton foi um sucesso. Esse é, sem dúvida, um caso emblemático de como a visão do empreendedor faz toda a diferença na gestão de uma empresa. 

Para muitos, confortáveis na venda natural das malas, não existia uma preocupação real com a experiência do cliente, muito menos na melhoria do que estava sendo oferecido. A mentalidade de conforto e pouco esforço, traduzida na reprodução quase automática de uma maneira de fabricar os baús, deram a Louis Vuitton a oportunidade de mexer não apenas com o mercado, mas tornar-se um exemplo de como uma empresa deve olhar para os seus serviços: sempre buscando aperfeiçoar a experiência dos seus clientes e seguir inovando

Empreendendo através das gerações e sucedendo a paixão em servir

De maneira quase espontânea, muitos dos concorrentes de Louis Vuitton começaram a copiar seu engenhoso produto para conseguir manter-se no mercado. Assim, a cada inovação realizada por Vuitton nas bolsas e malas, tornando-as mais práticas, logo em seguida todos os concorrentes adaptavam seus produtos e faziam cópias. Como então resolver esse problema? Afinal, como o cliente diferenciaria uma mala da outra? A solução veio não pelas ideias de Louis Vuitton, mas do seu filho, Georges Vuitton.

Após a morte do seu pai, em 1892, Georges assumiu a empresa, que nesse novo momento já era conhecida não apenas na França, mas em toda a Europa. Ainda assim, o velho problema continuava a existir. O filho de Louis Vuitton encontrou uma solução genial para diferenciar de vez seu produto da concorrência. Em 1896 ele ordenava que a partir daquela data todos os produtos da Louis Vuitton deveriam ter duas letras, as iniciais da empresa. Assim nascia a logomarca, uma solução pela qual até hoje reconhecemos uma mala ou bolsa desta gigante do mercado da moda.

Além disso, podemos compreender como esse espírito empreendedor foi sendo forjado na família Vuitton, visto que George também ensinou aos seus filhos a gerenciarem a empresa e dedicarem-se aos negócios. Isso mostra que, em certo grau, o meio em que crescemos nos ajuda a desenvolver certas habilidades e aptidões, mas que também podemos traçar nosso próprio destino e superar as dificuldades do contexto em que vivemos. Assim, empreender se torna uma decisão diária entre mudar a realidade em que estamos inseridos ou sucumbir a ela.

A empresa ficou nas mãos da família Vuitton até 1977, quando Henry Recamier, um famoso executivo, assumiu o comando da empresa. Apesar disso, o nome de Louis Vuitton, mais de um século após a sua morte, segue como um dos mais importantes empreendedores da história da França, sinônimo não apenas de luxo, mas de inovação e capacidade de transformação. Assim, o jovem garoto que saiu da região de Jura ganhou não apenas o mundo, mas seu lugar na história.

Bom trabalho e grande abraço.

Prof. Adm. Rafael José Pôncio



        Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte.       

terça-feira, 19 de julho de 2022

O que significa empreender com riscos calculados?

O que significa empreender com riscos calculados? Entenda o conceito para ter mais chances de sucesso em seu negócio!

Abrir e gerir um negócio é um desafio e tanto. Podemos dizer que parte desse desafio está no fato dos riscos serem inerentes ao processo. Um empreendedor precisa tomar decisões complexas e implementar ações com o objetivo de avançar e fazer seu negócio crescer. Porém, precisa lidar com incertezas. E se não der certo? E se o “passo for maior que a perna”?


Nesse sentido, uma habilidade que todo gestor precisa desenvolver é a de calcular riscos. Com riscos calculados, o empreendedor passa a tomar decisões com base em dados e planejamento, entendendo as possíveis variáveis. Dessa maneira, é possível minimizar danos e também lidar melhor com as consequências caso algo não ocorra como o previsto.


A cada projeto, passo ou decisão é importante ter uma avaliação e percepção do mercado, das dificuldades que podem surgir, fazer uma projeção de possíveis cenários e entender o impacto gerado. 


Assim, a melhor alternativa para um dono de negócio é aprender a lidar melhor com riscos, afinal, o empreendedor que não se arrisca limita o potencial de crescimento da sua empresa. A seguir, veremos de forma detalhada o que são riscos calculados, por que é importante correr riscos ao empreender e qual a maneira de se arriscar considerando todos os aspectos e variáveis que envolvem uma tomada de decisão ou implementação de um novo projeto. 

O que são riscos calculados

Riscos calculados consiste no processo de avaliação que um empreendedor faz ao traçar novos caminhos ou determinado objetivo para seu negócio, levando em consideração a viabilidade e aspectos como estrutura, cenário econômico, dados mercadológicos, custos, recursos e projeções.


Dessa forma, riscos são avaliados e assumidos de maneira consciente com o objetivo de alcançar um crescimento e aprimorar os resultados da empresa. Correr riscos calculados é, portanto, fundamental, caso você deseje levar o seu negócio para outro patamar e se destacar frente ao mercado onde está inserido. Como exemplos de risco calculado, cito a decisão de abertura de uma filial e a implementação de novos meios/opções de pagamento.

Os riscos calculados no empreendedorismo — a importância de saber corres riscos

Como destaquei, é importante um empreendedor ter coragem e saber quando se arriscar para aproveitar oportunidades para o seu negócio. Essa é uma habilidade chave do empreendedorismo e, sem dúvidas, devemos trabalhar para desenvolvê-la. Apenas ter ideias e força de vontade não são suficientes se não existe preparo e base para fazer uma boa gestão de riscos. 


Nesse contexto, é primordial saber empreender com os pés no chão. Ou seja, é preciso ter ousadia, mas sempre tomar decisões com cautela e um pouco de paciência para não colocar tudo a perder.  Entender quais são os riscos calculados do seu negócio é importante para:

  • ter maior controle das ações e lidar melhor com possíveis reveses e dificuldades;

  • reduzir impactos negativos e minimizar danos;

  • otimizar recursos e investimentos;

  • impulsar o desempenho do negócio.

Os tipos de riscos calculados que você precisa avaliar como dono de negócio

Empreendedores geralmente lidam com alguns tipos de riscos em seu cotidiano. É importante conhecê-los para se planejar e fazer uma boa avaliação de cálculo de risco, considerando aspectos que podem ameaçar a viabilidade do seu negócio. Confira quais são:

  • aceitação do produto ou serviço;

  • reações da concorrência;

  • cenário econômico;

  • aspectos legais e sanitários;

  • falta de capital de giro. 

Como correr riscos calculados, tomar decisões com estratégia e dar novos passos com firmeza

1. Saiba identificar potenciais riscos

Ao abrir um negócio, implementar um novo projeto ou uma estratégia específica de crescimento, é importante fazer uma análise de todos os potenciais riscos envolvidos, que podem lhe trazer algum tipo de complicação. Os tipos de riscos apontados no tópico anterior podem ser uma direção para ajudá-lo nessa avaliação.

2. Avalie alternativas e possibilidades ao tomar decisões

Ao tomar uma decisão, busque ter alternativas e considere outras possibilidades caso surjam obstáculos e as coisas não ocorram como esperado. Mesmo com planejamento, existe uma margem de erro. É importante ter um “plano B”, estar preparado para dificuldades é a melhor maneira de fazer uma gestão de risco. 

3. Reduza as chances de erro

Para arriscar com cautela, é essencial encontrar meios de reduzir as chances de erros. Um plano de negócio, ou uma pesquisa de mercado para o lançamento de produto ou abertura de filial, entre outros, são exemplos de ferramentas que um gestor pode utilizar para embasar suas decisões e aumentar suas chances de sucesso. Ao se resguardar e minimizar os danos, menores também são as chances de perder dinheiro em um investimento errado ou em uma estratégia equivocada. 

5. Escolha desafios com cautela

A escolha dos desafios também é um fator importante na avaliação dos riscos. O desafio precisa ser coerente com o negócio e possível de alcançar, pois, assim, as chances de sucesso são maiores. Cuidado com ideias megalomaníacas e fora da realidade. 

6. Tenha um bom planejamento financeiro

Antes de dar qualquer passo, é primordial ter um bom planejamento financeiro. Ao calcular os riscos que irá assumir, o empreendedor deve estar ciente das suas limitações financeiras e do impacto que determinada ação pode gerar para o caixa da empresa. Caso contrário, o que era para ser um diferencial competitivo pode ser tornar um grande prejuízo, causando danos irreversíveis para a saúde financeira do negócio. 

7. Antecipe soluções para possíveis problemas

A melhor maneira de trabalhar com riscos calculados é minimizar impactos negativos. Por isso, planeje soluções para eventuais imprevistos ou contratempos que poderá enfrentar. Ao tomar uma atitude com agilidade diante de um problema, as chances de revertê-lo são muito maiores. 

8. Mensure resultados para embasar decisões futuras

Quanto maior for o embasamento para a tomada de decisão, melhor você lidará com riscos calculados. Portanto, colete dados dos projetos executados e faça uma análise dos riscos corridos em decisões anteriores, mensure os resultados alcançados. Isso lhe dará segurança e respaldo para iniciativas futuras.



O segredo para empreender com riscos calculados é sempre avaliar o cenário e as situações com rigor e clareza, buscando desenvolver essa habilidade de análise cada vez mais. Além disso, é importante ter a disposição para assumir desafios e ter coragem de ousar. Mas lembre-se de manter sempre os pés em terra firme.


Bom trabalho e grande abraço.


Prof. Adm. Rafael José Pôncio



        Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte.       

terça-feira, 12 de julho de 2022

Jules Henri Fayol, o criador da gestão administrativa


Sir Isaac Newton, quando questionado sobre sua descoberta das leis da gravitação universal, respondeu: “se consegui enxergar mais longe é porque me apoiei no ombro de gigantes”. Essa singela resposta nos mostra, de modo didático, a importância de termos uma base em tudo que fazemos. Essa base, quando voltada ao mundo profissional, está na tradição de gerações de pesquisadores e exemplos bem sucedidos em cada um dos nossos ramos. Por vezes, quando nos debruçamos sobre as modernas teorias de nossas áreas de interesses acabamos por negligenciar os clássicos, ou seja, os pensadores que criaram os princípios básicos em que se sustentam todas as novas e antigas ideias. 

Frente a essa realidade, é fundamental voltarmos uma vez mais ao estudo dos clássicos. No caso da administração - e em tantas outras áreas, na verdade - pode-se argumentar que os métodos utilizados pelos gestores do início do século passado já se apresenta obsoleto, ou que as empresas atuais buscam um modelo que atenda as necessidades da nossa sociedade, que difere do que se esperava há cem anos atrás. 

Se, por um lado, concordamos com o fato de que não se pode replicar exatamente o mesmo modelo de gestão dos antigos, por outro é inegável que, em essência, os ensinamentos que estes pensadores nos legaram, após uma vida dedicada aos seus negócios e a teoria da administração, não podem ser jogados fora como um passado que já não nos serve mais. 

Tendo em vista a necessidade de (re)encontrarmos com estes grandes gestores do passado, iniciei aqui mais uma série de biografias dedicadas aos pais da administração, aqueles que através de suas empresas e livros formaram a sólida base da ciência social a qual denominamos administração. E como não poderia ser diferente, começamos nossa série com um dos principais gestores que o século XX presenciou: Jules Henri Fayol, o criador da gestão administrativa.

Quem foi Jules Henri Fayol?

Nascido no antigo Império Otomado, em 1841, Jules Henri Fayol ainda muito jovem mudou-se para a França, país de origem dos seus pais. Devido a profissão do seu pai como engenheiro era comum - e necessário - relocar-se para outros países e acompanhar as construções que empreendia. Desse modo, após realizar a construção de pontes em Istambul, o pai de Fayol recebeu uma proposta de trabalho em Paris e voltou à sua pátria em 1847. Assim, o jovem Henri cresceu observando o ofício do pai, o que o levou para a profissão de engenheiro de minas. Até esse momento, porém, a vida de Fayol em nada desenhava-se para que ele se tornar-se o homem que seria reconhecido como fundador da teoria clássica da administração.

Ao iniciar sua carreira como engenheiro aos 19 anos, Fayol encontrou uma situação que mudaria sua percepção quanto à administração. Contratado pela Compagnie de Commentry-Fourchambault-Decazeville, uma mineradora que atuava no coração da França, mais precisamente em Commentry, o jovem engenheiro encontrou uma situação complexa na gestão da mineradora. Praticamente decretando falência, Fayol passou a exercer não apenas seu cargo como engenheiro, mas dedicou-se ao ponto de gerir o seu setor e otimizar os processos da empresa, salvando-a, após alguns anos, de ter suas portas fechadas.

Essa experiência o marcou profundamente. A partir disso, Fayol passou não apenas a tentar entender princípios básicos da administração, mas também a anotar e criar relações entre a prática exercida em seu trabalho e a fundamentação de uma nova teoria para ajudar gestores e seus empreendimentos. 

Não por acaso, em 1888, após 28 anos como gestor, Fayol chegou à direção geral da empresa, resultado do seu esforço não apenas como um trabalhador, mas um gestor de sucesso.

Toda a experiência prática e teórica acumulada por Fayol, fruto de 58 anos de trabalho, ganharam “vida” no seu livro “ Administração Industrial Geral”, lançado em 1916, tornando-se um verdadeiro marco para a área da administração. Pouco tempo depois, em 1918, Fayol aposentou-se do seu cargo de diretor, com então 77 anos.

Tornando-se um dos pais da administração

O pai da administração, porém, não limitava-se a exercer suas teorias apenas no seu trabalho. Dedicado a espalhar suas ideias sobre gestão, Fayol chegou a fundar o centro de estudos administrativos que, em linhas gerais, reunia pessoas dos mais diferentes ramos para palestrar acerca de suas descobertas.

Assim, o teórico não contentou-se em apenas aprender e aplicar as leis da administração, mas sua missão principal estava em ser um canal de transmissão destas ideias inovadoras. Até então, como a História mostra, a administração de um empreendimento era feito de maneira amadora, muito mais baseada numa visão de negócios do que com a estruturação dos processos dentro da empresa. 

Assim, Fayol não apenas lança os fundamentos da administração, mas junto com Henry Ford e Frederick Taylor, apresenta uma nova geração - e até então única - geração de verdadeiros gestores.

Frente a isso, é interessante pensarmos como a trajetória de Henri Fayol poderia ter sido completamente diferente caso ele decidisse ser apenas “mais um funcionário”. A ousadia de empreender uma nova maneira de gerir a empresa, começando pelo setor que lhe cabia, abriu as portas não apenas para o seu crescimento profissional, mas o fez enxergar novas metodologias que ajudariam não apenas a salvar a empresa, mas fundamentar toda a área de administração. 

Graças ao seu empenho para salvar a empresa em que trabalhava, Fayol provou, definitivamente, que a administração pode - e deve - ser feita de maneira profissional, com disciplina e método.

Dito tudo isso, após 84 anos de existência Jules Henri Fayol faleceu em Paris, em 1925. Porém, após quase 100 anos de sua morte sua obra continua viva, sendo um farol que ilumina os navegantes no mar da gestão administrativa. Sendo assim, é pelo seu exemplo e legado deixado no campo da administração que, de maneira singela, o homenageado aqui é esse grande pai da administração.

Irei publicar mensalmente na série Os Pais da Administração um pouco da biografia de cada fundamentador da arte de gerir.

Bom trabalho e grande abraço.

Prof. Adm. Rafael José Pôncio


        Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte.       

terça-feira, 5 de julho de 2022

LIFO: um método que agiliza a estocagem e valoriza seus produtos

Embora não seja tão conhecido, o sistema LIFO também é uma estratégia interessante para fazer o gerenciamento do seu estoque.

Neste texto você irá aprender mais sobre como a metodologia funciona e um comparativo com outros dois sistemas, o FIFO e o FEFO.

Ainda mostro como fazer o cálculo do giro de estoque para deixar a sua gestão mais eficiente.

O que é e quando usar LIFO?

LIFO é o acrônimo para “last in, first out” ou em português, UEPS “último a entrar, primeiro a sair”. Ele é um sistema utilizado para gerenciar o estoque.

Como o próprio nome já diz, neste método os novos produtos são armazenados na frente dos itens antigos, pois serão os primeiros a sair.

Ele é utilizado para empresas que desejam otimizar a gestão do estoque e aumentar a eficiência.

Afinal, como o último produto a entrar é o primeiro a sair, simplifica o fluxo e o controle dos produtos.

O LIFO é indicado para empresas que operam com produtos não perecíveis ou com uma validade maior como feijão, arroz e macarrão, por isso ela é utilizada em pequenos supermercados.

Também empresas que tenham uma alta rotatividade ou trabalhem sobre demanda como montadoras de carros.

Empresas como mineradoras e madeireiras também se beneficiam do LIFO, pois ele simplifica a gestão do estoque, pois como estes itens são pesados, é melhor utilizar a ideia do último que entra, primeiro que sai.

Como funciona o LIFO?

Para facilitar a compreensão, segue um exemplo:

Uma loja de autopeças e acessórios para carros adquiriu em janeiro/2021, 20 alarmes para carros.

Até metade do ano de junho/2021, foram vendidos 10 alarmes.

Em julho/2021 chegou novo lote com 20 alarmes.

Até dezembro/2021, mais 15 alarmes foram vendidos.

Segundo a lógica do LIFO, em janeiro/2022, 10 dos alarmes comprados em janeiro/2021 ainda estão no estoque.

Este sistema também é utilizado para calcular o valor do estoque, sempre considerando o valor pago na última compra.

No exemplo da loja de autopeças, no lote de janeiro/2021 cada alarme de carro custou R$10,00, logo o valor do estoque era R$200,00.

Já no lote de julho/2021, cada alarme custou R$11,00, este é o valor considerado para calcular o estoque final.

Então, o estoque com 15 alarmes, possui um valor de R$165,00.

Note que houve uma valorização dos 10 alarmes que restaram da compra de janeiro/2021. Por isso, o LIFO pode ser utilizado para fins gerenciais, mas não para contábeis.

Quais os prós e contras do LIFO?

Conheça as vantagens de desvantagens de aplicar o LIFO no seu negócio. 

Benefícios

Veja as razões para aplicar o LIFO:

Controle de entrada e saída dos produtos facilitado

Como os produtos têm um grande prazo de validade, não há a necessidade de um controle tão rigoroso da movimentação.

Economia no tempo e espaço

Como o armazém é organizado por ordem de chegada, não exige muito espaço para circulação. Este modelo também torna as entradas e saídas mais rápidas, fácil, diminuindo o prazo de entrega.

 Auxilia na precificação

Como o valor do estoque é baseado no último lote adquirido é fácil ajustar os preços à realidade do mercado.

Desvantagens

Aprenda os motivos para não escolher o LIFO:

Estoque obsoleto

Se não houver cuidado, itens parados no estoque podem se tornar obsoletos. Por exemplo, uma montadora de carros pode ter no seu armazém uma peça que não é utilizada nos novos modelos.

Neste caso a gerência precisa estar atenta ao mercado para evitar este transtorno.

Não pode ser utilizado no controle financeiro

No LIFO ocorre uma supervalorização do estoque, ou seja, o valor que está no armazém é maior que o valor investido nele, o que pode causar erros tributários.

Por este motivo, o Fisco (autoridades responsáveis pelo pagamento de impostos) não aceita esta forma de controle. Logo a empresa terá que utilizar outro método.

Qual a diferença entre FIFO, FEFO e LIFO?

Além do LIFO, existem outros dois métodos de gerenciamento de estoque famosos, os FIFO e o FEFO, conheça cada um deles:

FIFO

É o contrário do LIFO, nesta metodologia é o first in, first out (primeiro que entra, primeiro que sai).

Então, o estoque é organizado para facilitar que os primeiros produtos adquiridos sejam os primeiros a serem comercializados.

Um exemplo são as prateleiras dos supermercados, onde os itens são organizados para que os primeiros produtos fiquem na frente e visíveis para os consumidores.

FEFO

Já o FIFO significa “first expire, first out” (primeiro a vencer, primeiro a sair). Logo os produtos são distribuídos de uma forma que os mais próximos da validade sejam os primeiros a serem utilizados.

Este sistema é muito utilizado em empresas que trabalham com alimentos perecíveis ou com uma validade pequena, como restaurantes.

Mas qual deles utilizar?

A resposta está relacionada aos tipos de produtos que você comercializa e o seu negócio.

O sistema LIFO, não faz sentido em uma cafeteria, por exemplo, neste caso o FEFO e o FIFO são mais indicados.

Por outro lado, uma adega não precisa aplicar o FEFO.

Também o consumidor, no geral, valoriza produtos “frescos” que estejam com a data de validade longe. Logo, é importante fazer uma análise do seu público antes de definir qual estratégia aplicar.

Outro elemento importante é o giro de estoque, conheça-o melhor no próximo tópico.

O que é giro de estoque e como calcular?

O giro de estoque é um indicador que mede a circulação dos produtos, ou seja, quantas vezes os produtos foram vendidos e repostos.

Ele é fundamental para a gestão financeira de um negócio, com base nele é possível fazer as previsões de custos e dos lucros.

O cálculo é feito com uma fórmula simples:

nº total de venda / volume médio de estoque no período = giro de estoque

Por exemplo: uma loja de colchões vende por ano 12.000 colchões por ano. O volume médio de estoque mensal é 3.000 colchões, logo:

12.000/3.000 = 4

Isto é, o giro de estoque é 4 logo o estoque foi totalmente renovado 4 vezes.

Também é possível calcular utilizando o valor das vendas, segue fórmula:

nº total do valor venda / volume médio de vendas no período = giro de estoque

Na loja de colchões o volume de vendas anual é R$ 50.00,00, o valor das vendas mensais é R$ 12.000,00, logo:

R$50.000,00/R$12.000,00 = 4,1

Caso o resultado seja menor do 1, o estoque não foi renovado nenhuma vez.

Para saber de quanto em quanto tempo o estoque é renovado, basta aplicar esta fórmula:

nº de dias no ano / quantidade de giros = tempo médio de reposição

Exemplo:

365 / 4 = 91,25

Ou seja, o tempo médio levado para repor todo o estoque é de 92 dias.

Então qual você pensa ser o melhor para sua empresa, LIFO, FIFO ou FEFO? Diga nos comentários.

Bom trabalho e grande abraço.

Prof. Adm. Rafael José Pôncio


        Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte.