terça-feira, 10 de maio de 2022

Barbe-Nicole Clicquot-Ponsardin, a rainha do Champagne

Quando falamos sobre a história do empreendedorismo é comum nos referimos a homens. Sem dúvida, se analisarmos o nosso passado enquanto civilização é inegável as diferentes formas de tratamento dadas às mulheres, em geral designadas para o espaço doméstico e educação dos filhos. A construção desigual destes papéis sociais limitou por muito tempo a atuação feminina frente aos negócios. Nos choca, por exemplo, que há menos de cem anos atrás uma mulher seria mal vista ao tentar gerir um negócio por conta própria, principalmente se não viesse de uma classe abastada. 

Sendo assim, até o século XX foram raras as empreendedoras que obtiveram sucesso, mesmo sob as rígidas condições do seu tempo. Porém, apesar de poucas, as mulheres da época também deixaram sua marca indelével no mundo dos negócios. Hoje conhecemos uma destas damas que enfrentaram não apenas a concorrência em seus empreendimentos, mas também o preconceito de um mundo que não as aceitavam como empresárias. Retornemos então até a França do início do século XIX para sabermos um pouco mais sobre a Madame Barbe-Nicole Clicquot-Ponsardin, a viúva que se tornou a rainha do Champagne.

Do lar às adegas

Nossa grande empreendedora no ramo de vinhos nasceu em 1777, no norte da França. Advinda de uma família de posses - seu pai era um industrial têxtil - a jovem Barbe-Nicole teve a chance de estudar e adquirir uma excelente formação, algo raro para as mulheres da época e destinada apenas às que fossem bem nascidas. Seus pais, porém, apesar de acumularem uma fortuna considerável, viviam sob a sociedade do Antigo Regime e não desfrutavam de uma série de privilégios concedidos apenas à nobreza. Esse fato levou o pai de Barbe-Nicole a ser um personagem ativo no movimento que mudaria o rumo da Europa e da organização social de todo o Ocidente: a Revolução Francesa.

Barbe-Nicole nos anos da revolução era apenas uma menina e fora blindada dos episódios mais intensos dos dez anos que mudaram a história francesa. Porém, mesmo vivendo sob uma nova ordem social, muitos costumes mantiveram-se. Um deles, certamente, diz respeito ao papel da mulher na sociedade europeia que, em linhas gerais, estava estritamente submissa ao marido. Desse modo, ao fim dos anos de revolução Barbe-Nicole estava com um casamento marcado, tudo arranjado entre o seu pai e o seu futuro sogro.

Como bem sabemos, a prática de utilizar o casamento como uma maneira de construir alianças e fortalecer laços entre famílias é tão antiga quanto a própria história humana. Sendo assim, os pais da jovem Barbe-Nicole viram no casamento de sua filha uma oportunidade de ampliar seus negócios. Dessa maneira, em 1798, com 21 anos, a futura empresária do champagne casou-se com François Clicquot. Porém, a vida em família não seguiria para o “final feliz” que as antigas histórias nos contam.

Seis anos após o casamento do então François, que nesse momento tinha assumido a vinícola do seu pai e comandava um próspero comércio de vinhos, acabou morrendo precocemente de febre tifóide, em 1805. Assim a doença levou o casamento de Barbe-Nicole ao fim e isso representava, para a grande maioria das mulheres, uma vida marcada pela viuvez. 

Entretanto, por vezes são nos momentos de maior tensão e dor que revolucionamos a nossa própria vida. Com Barbe-Nicole isso aconteceu de maneira precisa, pois a jovem de 27 precisava não apenas garantir sua sobrevivência, mas também a dos seus filhos. Portanto, a necessidade a fez, em grande parte, sair do papel de esposa e dona de casa para tornar-se uma verdadeira empresária. Essa resiliência a tornou mais forte!

Entretanto, essa não foi uma jornada fácil. O primeiro desafio estava justamente em conseguir trabalhar. Graças a uma brecha na lei francesa, na qual afirmava que uma viúva poderia assumir os empreendimentos do seu falecido marido, Barbe-Nicole passou a ser a dona da vinícola Clicquot. Esse fato certamente chocou a sociedade francesa, uma vez que as mulheres eram proibidas não apenas de trabalhar, mas também não podiam votar, frequentar cursos superiores nem muito menos comandar de tão perto um empreendimento. Assim, com o apoio do seu sogro, a madame Clicquot passou a empreender e aumentar os lucros da vinícola, mas essa jornada estava longe do fim.

Madame Clicquot, superando as guerras

Outro grande empecilho enfrentado pela Madame Clicquot em sua vinícola foram as guerras napoleônicas. Como a história nos conta, após o golpe do 18 Brumário o general do exército francês Napoleão Bonaparte assumiu a França e estabeleceu o seu império. Suas pretensões e conquistas se estenderam até 1815, quando foi derrotado em Waterloo e foi aprisionado na ilha de Santa Helena. Mas qual a relação desse momento de disputas entre a França e a Europa e os negócios da nossa empreendedora?

Devido às constantes batalhas a produção e consumo de vinho caiu na França, uma vez que grande parte do contingente estava direcionado para as frentes de guerra. Além disso, a exportação do vinho para os países europeus também estava comprometida devido a péssima política exterior do general conquistador. Desse modo, a madame Clicquot chegou muito próxima da falência, principalmente após 1812 com a derrota francesa frente à Rússia. Porém, mais uma vez a tragédia abria um espaço sutil nos negócios que só o olhar de um verdadeiro empreendedor conseguiria ter. 

Antes da guerra acabar, Barbe-Nicole percebeu que seus vinhos mais doces eram os preferidos no leste Europeu, diferentemente dos outros vinhos que circulavam na França. Percebendo uma chance de alavancar seus negócios e conquistar um novo mercado, a Madame Clicquot direcionou grande parte da sua produção para estes países, em especial para Rússia, principal combatente do exército francês. Assim, deixando grande parte de sua mercadoria estocada com outros comerciantes no país inimigo e com ordens para vendê-lo somente após a guerra, a madame Clicquot fez um movimento extremamente arriscado, pois poderia perder não apenas a última chance de salvar seu negócio, mas ser considerada uma traidora por furar o bloqueio comercial estabelecido por Napoleão.

Porém, com a derrota francesa e o fim da ofensiva contra a Rússia, rapidamente voltou-se à rotina pré-guerra e ao consumo regular de álcool por parte da população. Desse modo, quase como mágica, quando os copos voltaram a ser enchidos nos bares o vinho - que hoje conhecemos como Champagne - neles eram os da vinícola Clicquot. Em pouco tempo a viúva Clicquot, como também era conhecida, tornou-se uma das empresárias mais bem sucedidas do seu tempo, ganhando não apenas dinheiro, mas notoriedade no ramo da enologia.

Essa percepção do futuro lhe garantiu adentrar profundamente no mercado dos países do leste europeu, além de fortalecer sua marca com outros produtos circulando em mercados menos atrativos para a champagne, como a própria França. Essa façanha mostra um lado muito interessante da Madame Clicquot, pois ela não apenas foi capaz de enxergar a oportunidade frente o contexto em que vivia, mas de arriscar-se em um momento tão delicado para a sua empresa à beira da falência. 

Devido a capacidade de assumir um risco tão alto, porém perfeitamente calculado, Madame Clicquot tornou seus vinhos populares em todo o continente, feito que até hoje reverbera em todo o mundo.

Após sua morte, em 1866, a vinícola passou por mudanças. Uma delas, que permanece até os dias atuais, é o nome da própria empresa. Atualmente a conhecemos como Veuve Clicquot, que em uma tradução direta significa “viúva Clicquot”. Seus vinhos, como uma pesquisa rápida nos mostra, podem variar entre R$ 337 até R$47.000, sendo assim um dos mais caros do mundo.

Considerando todos esses aspectos e ressaltando mais uma vez a sua força moral para desempenhar um papel tão distinto quanto o que a sociedade a pressionava a ser, não é a toda que Barbe-Nicole Clicquot encontra-se nessa lista de Grandes Empreendedores da História do mundo. Que seu espírito empreendedor e visão para conquistar - e dominar - o mercado nos deixem inspirados para darmos seguimento aos nossos negócios e fazê-los prosperar.

Bom trabalho e grande abraço.

Prof. Adm. Rafael José Pôncio



        Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte.       

terça-feira, 3 de maio de 2022

Entenda o sistema FEFO e saiba quando e como utilizá-lo

FEFO

Para quem trabalha no ramo com logística, a palavra FEFO não é desconhecida, ela trata do gerenciamento do estoque.

Muitos empreendedores se esquecem, mas o armazenamento tem um papel fundamental em boa parte dos negócios.

Afinal, é da venda dos produtos que a empresa obtém lucros, e não ter esse cuidado no armazenamento e controle dos insumos pode levar a empresa a ruína.

Então, segue um texto detalhando o sistema FEFO.

O que é o FEFO?

FEFO é um sistema de gerenciamento de estoque.

A sigla vem do inglês e significa “first expire, first out” ou em português, o “primeiro a vencer, o primeiro a sair”, por esta razão também é chamado PVPS.

Como o nome indica esta forma de guardar e controlar os produtos, utiliza sempre os itens que estão mais próximos da validade primeiro, independente de quando entraram no estoque.

Quando usar o FEFO?

Este modelo é muito utilizado em negócios que trabalham com produtos perecíveis ou que possuem uma alta rotatividade.

 Exemplos:

Um restaurante trabalha com uma grande quantidade de produtos que estragam facilmente e precisa seguir rigorosamente as normas de validade, logo o FEFO é o mais indicado.

Também uma loja de roupas precisa ter um fluxo constante de peças. Afinal a cada estação uma nova coleção de produtos veem e nem sempre o que fez sucesso no ano passado, fará neste.

Além disso, as roupas podem sofrer danos se ficarem armazenadas por muito tempo.

Benefícios ao utilizar o FEFO

As maiores vantagens de utilizar este sistema são:

Diminui as perdas por vencimento

Como os produtos são utilizados seguindo a data de validade, as chances de que algo precise ser descartado por este motivo reduzem significativamente.

Logo, os itens precisam estar bem identificados, para não haver confusões nas requisições.

Maior controle da qualidade

Mesmo com todos os cuidados, produtos perecíveis como carnes e frutas perdem a qualidade se ficarem muito tempo armazenados.

Utilizando o sistema FEFO isso não acontece, portanto, a qualidade dos produtos será muito superior.

Inclusive, existem chefes de cozinha que preferem não ter cardápio fixo no restaurante para aproveitar os produtos mais frescos que encontrar disponíveis.

Melhora a gestão financeira

Com o estoque organizado neste modelo, a empresa sofre menos com a inflação e a deflação, já que os produtos ficam pouco tempo parados.

Como funciona o FEFO?

 Colocar o FEFO em prática significa manter um controle rígido da data de validade.

 Para isso é importante que o prazo de validade esteja bem visível em todos os produtos.

Então, o estoque não deve ser organizando segundo a ordem de chegada, mas conforme os lotes que estão para vencer.

Para facilitar a compreensão, segue um exemplo:

Uma farmácia recebeu no dia 5 de janeiro um lote 50 cartelas de remédios para dor de cabeça, com data de validade para 90 dias.

No dia 10 de janeiro ela recebeu de outro laboratório um segundo lote com 30 cartelas deste mesmo medicamento, com validade para 60 dias.

Já em 15 de janeiro a farmácia recebeu um terceiro lote com 20 cartelas do mesmo remédio, com validade para 30 dias.

No dia 16 de janeiro foram vendidas 10 cartelas do medicamento para dor de cabeça.

Pela regra do FEFO, as cartelas vendidas fazem parte do 3 lote, pois é considerado somente a validade do produto e não o recebimento das mercadorias.

Como aplicar o FEFO 

Se você identificou o FEFO como o melhor método para gerenciar o seu estoque, segue um passo a passo para colocá-lo em prática:

Passo 1: Faça uma análise

Antes de aplicar o FEFO, é fundamental avaliar quais mudanças serão necessárias.

Por exemplo: uma reorganização do armazém.

Passo 2: Coloque uma pessoa no comando

É importante que uma pessoa fique responsável pelas mudanças, pode ser você mesmo ou quem já é o encarregado da logística.

Passo 3: Identifique os produtos

Agora vem a parte prática.

Utilize etiquetas padronizadas para identificar os produtos, paletes ou estantes.

Para isso você pode utilizar o sistema SKU (stock keeping unit ou unidade de manutenção de estoque).

SKU são códigos formados por letras e números que facilitam a gestão dos produtos. Em uma empresa cada produto possui um SKU (código) diferente que segue um padrão lógico.

Ele é geralmente composto por informações como: o fabricante, descrição do produto, tamanho, quantidade e cor.

Por exemplo: uma papelaria comercializa a “Caneta Esferográfica 10 Cores Bic Cristal Fashion”. 

SKU: BICCEC10CO

  • Fabricante: BIC

  • Descrição do produto: CE

  • Quantidade:10

  • Cor: CO (colorido)

Desta maneira, fica mais simples identificar os produtos.

Passo 4: Tenha um sistema eficiente

Para ter um estoque ágil é importante ter um WMS (sistema de gerenciamento de armazém) que atenda às suas necessidades.

Passo 5: Cuide do estoque

Além da organização, o depósito precisa estar limpo e bem iluminado. Afinal, mesmo aplicando o FEFO, sem a atenção necessária os produtos acabaram estragando.

Passo 6: Faça treinamentos

Os funcionários devem conhecer e aprender a nova forma de estocagem.

Dicas para gerenciar o estoque

O estoque tem um papel importante no sucesso de um negócio. Afinal, perder uma venda por ruptura (falta de produto para venda) é uma falha grave.

 Por isso separei 5 dicas para ter uma boa gestão.

 1.   Compre apenas o necessário

Quando vemos um produto em promoção, muitas vezes ficamos tentados a aproveitar.

Porém, vale lembrar que quanto mais produtos, mais necessidade de espaço e manutenção. Além disso, uma compra maior pode comprometer o capital de giro.

2.   Faça inventários periodicamente

Inventários são as auditorias realizadas no estoque para verificar se o que está no sistema bate com a realidade.

Quando não são realizados de forma regular, aumentam-se os riscos de falta de produtos ou o maior problema do FEFO, passar do prazo de validade.

Então, é essencial que o gestor defina uma frequência para a vistoria.

3.   Cuide da conversão

Para otimizar o espaço e facilitar a organização a maioria dos produtos são guardados em caixas.  O problema acontece quando estas caixas não têm nenhum tipo de padronização.

Por exemplo: uma loja de esportes tem uma caixa com 10 bolas de tênis e outra tem 15. Se elas não forem registradas de forma correta, causará divergências.

4.   Atualize as informações sempre

Além de conferir as mercadorias que entram e saem sempre. É fundamental atualizar o sistema imediatamente.

Pois, o funcionário pode acabar se esquecendo e levar a uma falta de controle.

5.   Mantenha a segurança

Lembre-se: o estoque é um dos bens mais importantes de uma empresa, logo, deve ser bem cuidado.

Assim, instalar um sistema de segurança e controle de entradas e saídas é o primeiro passo para evitar furtos ou roubos.

Então, o que achou do FEFO? Ele é a ferramenta ideal para a gestão da sua empresa? Diga nos comentários!

Bom trabalho e grande abraço.

Prof. Adm. Rafael José Pôncio


  Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte. 

terça-feira, 26 de abril de 2022

Cornelius Vanderbilt, o empreendedor da marinha mercante americana

Todos nós sabemos que o mundo dos negócios é voraz. A competição, por vezes, pode significar o sucesso ou destruição de um patrimônio, ainda mais em condições em que os recursos disponíveis são escassos. Frente a essa realidade, por vezes a postura de alguns empresários são a de viver em uma eterna arena, tal qual os antigos gladiadores romanos. Isso não significa dizer que a disputa no mundo dos negócios seja injusta, muito menos desleal, mas sim que há um nível de exigência cada vez maior.

O mundo corporativo moldou-se nessas regras, mas quem as ditou? Em grande medida, coloca-se a “culpa” deste modo de operar competitivo no próprio sistema capitalista, uma vez que a competição entre a melhor oferta tenderá a atender uma demanda limitada. Assim, as empresas buscam cada vez mais uma performance de excelência para ganhar seu mercado e garantir o lucro.

Em parte, pode-se dizer que a história do capitalismo e o avanço na maneira de gerir essa relação entre oferta e demanda tenha estimulado esse estilo de vida empresarial. Entretanto, ao olharmos para trás poderemos apresentar alguns empreendedores que foram verdadeiros mestres quando o assunto era competir. Dentre eles não podemos deixar de citar Cornelius Vanderbilt, o comodoro da marinha mercante americana que desafiou o monopólio dos navios a vapor.

Corneluis Vanderbilt, vivendo o “sonho americano”

Para entendermos sua história precisamos, porém, contá-la desde o seu início. Voltemos então ao final do século XVIII na cidade de Nova York. Lá encontraremos a humilde casa dos Vanderbilts, uma família de origem holandesa que até a geração de Cornelius sobreviveu com muito pouco recurso. O próprio Cornelius é fruto de uma vida difícil, afinal, precisou largar a escola com apenas 11 anos para dedicar-se ao trabalho. Seu primeiro emprego, porém, lhe direcionou para os negócios que fariam não apenas sua fortuna, mas o marcariam para toda a história.

Levado para as balsas de Nova York, o jovem Cornelius cresceu como um pequeno marujo a navegar entre um lado e outro das ilhas da Big Apple. Não é de se espantar, portanto, o modo rude com que rotineiramente descreve-se a personalidade do nosso empreendedor, pois essa dureza, tanto fisicamente quanto em sua personalidade, foram resultados de uma infância em que não havia espaço para sutilezas. lembremos que estamos falando do início do século XIX e as crianças, em sua grande maioria, eram vistas como “mini adultos”, sendo assim, desde cedo, introduzidas ao modo de vida e dilemas do mundo do trabalho e suas demandas.

Sendo fruto do seu tempo, Cornelius Vanderbilt dedicou-se com afinco à sua profissão. Tanto que apenas cinco anos após o início da vida como marujo nas balsas, o ainda “adolescente” Vanderbilt lançou-se no mundo dos negócios. Com a ajuda de sua mãe, comprou sua primeira embarcação e passou a operar cargas e passageiros em sua balsa.

Um evento pouco auspicioso para o país, porém, impulsionou o serviço ofertado por Vanderbilt: a guerra de 1812. Enfrentando o poderoso exército inglês no norte do país, o governo americano precisava de ajuda para sobrepujar seus inimigos não apenas no campo de batalha, mas continuar aquecendo a economia ao passo que desenrolava-se o conflito. 

Assim, Vanderbilt foi recrutado a servir fornecendo suprimento para o exército, o que lhe garantiu não apenas uma maior rentabilidade em seu negócio, mas lhe permitiu, mesmo em um período de guerra, expandir suas embarcações e a influência no transporte de comércio na costa americana.

Os meses de guerra foram o trampolim para Vanderbilt. A partir daí suas pequenas balsas foram sendo substituídas por navios mais potentes, capazes de travessias mais longas e carregar mais produtos: os navios a vapor. Mais uma vez não podemos esquecer o período em que viveu o nosso ilustre empreendedor. 

O século XIX é, em grande medida, fruto da revolução industrial ocorrida em 1760. Com as máquinas a vapor sendo construídas em toda a Europa, não demorou muito para que, nas primeiras décadas dos anos 1800, chegassem ao novo mundo os primeiros exemplares dessa indústria revolucionária.

Desse modo, os navios a vapor eram o mais avançado veículo a cruzar os mares do mundo. Porém, havia um empecilho para provar, de uma vez por todas, a capacidade de empreender de Cornelius Vanderbilt. 

O governo americano, na mesma época em que expandia-se os negócios do comodoro, garantiu o monopólio de trânsito dos barcos a vapor a Robert Fulton, o homem que inventou o barco a vapor. Sua empresa, portanto, era a única no país a poder utilizar a potente embarcação, o que fazia com que Fulton controlasse completamente os preços do mercado.

Enfrentando o protecionismo do Estado

Desafiando as leis do seu tempo, Cornelius manteve seus barcos a vapor funcionando e, além disso, baixou todos os preços (tanto para cargas como para passageiros), tornando suas embarcações muito mais atrativas do que o seu concorrente. Um homem com aspirações ao livre mercado como Cornelius foi um ferrenho crítico ao protecionismo estatal, acreditando piamente que todos que dependiam do governo para manter seus negócios não estavam preparados para serem empreendedores.

Essa convicção tenaz do Comodoro o impulsionou, até o fim dos seus dias, a ser um homem duro quando tratava-se da competição. Isso, naturalmente, tornou-o uma figura caricata para os seus críticos, muitas vezes apontando-o como um verdadeiro homem sem escrúpulos. 

Entretanto, o que percebe-se é que Conrnelius Vanderbilt era, antes de tudo, um homem que acreditava em seus ideais. A vida rígida ao qual fora submetido o tornou ainda mais forte, tanto em suas convicções como em seu temperamento, o que não agrava a quase ninguém.

Apesar do seu jeito particularmente pouco agradável, seu argumento de que o monopólio invalidava a competição foi aceito ainda em seu tempo. Assim, mesmo sendo processado e quase preso, Cornelius conseguiu quebrar o monopólio de Fulton sobre o comércio naval. Podendo competir livremente, ao longo dos anos Cornelius Vanderbilt expandiu seus negócios, chegando a ter uma frota acima de 100 navios cobrindo diversos portos americanos. 

Além disso, aproveitando-se da sua extrema eficiência, seus estudos de rotas marítimas foram capazes de criar verdadeiros atalhos comerciais para agilizar não apenas o transporte, mas a logística envolvida em trazer mercadorias por vias marítimas.

Sua experiência o levou, naturalmente, a outro ramo bastante lucrativo durante a segunda metade do século XIX: a construção de ferrovias. Após dominar a marinha mercante, Cornelius voltou-se para esse novo ramo dos transportes, tão eficiente e lucrativo quanto seus navios a vapor. Essa fase, porém, marca a última etapa na carreira de sucesso desse grande empreendedor. Em seus últimos anos, Cornelius, já próximo dos 80 anos, foi afastando-se da vida empresarial.

Mesmo sendo um homem duro, pouco carinhoso com os filhos e severo em seu comportamento, é inegável que a força de vontade e visão para os negócios o tornou um empreendedor de sucesso. Para muitos ele é o próprio símbolo do mundo corporativo, com suas exigências e competitividade. 

Porém, podemos destacar, certamente, sua capacidade de agir de acordo com seus ideais, mesmo que fosse necessário desafiar as “regras” do jogo. Por sua capacidade de superar adversidades e acreditar na livre competição, podemos colocá-lo nesse seleto grupo de grandes empreendedores da história.

Bom trabalho e grande abraço.

Prof. Adm. Rafael José Pôncio


        Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte.       

terça-feira, 19 de abril de 2022

O desenvolvimento do autoconhecimento como ferramenta de liderança e como ele pode ajudá-lo a empreender melhor

Autoconhecimento é um tema recorrente nos últimos tempos. Ele tem sido apontado como uma ferramenta importante para o desenvolvimento pessoal e profissional. Entender a si mesmo, de maneira profunda, reconhecendo e identificando dores e dificuldades, limitações, competências, qualidades, gostos e padrões têm um valor inestimável e pode ser a ponte para uma jornada com mais realização.

No campo profissional, esse é um recurso que beneficia diversas áreas de atuação e, para quem empreende e assume um papel de liderança, o autoconhecimento auxilia no desenvolvimento, ajuda a identificar valores e aplaca inseguranças, tão comuns em áreas e cargos que desafiam e exigem tomadas de decisão que causam impactos e consequências para pessoas e negócios.

Se você já compreende a importância de se conhecer, principalmente no que se refere ao âmbito profissional como vou abordar aqui, pode ser que eu “esteja chovendo no molhado”, e tudo o que eu disser pode até parecer óbvio. Porém, a questão é que muita gente ainda não se atentou para isso e insiste em um caminho com mais dificuldades, especialmente quando o assunto é empreendedorismo e liderança.


Enfim, o objetivo deste artigo é mostrar como o autoconhecimento é essencial para que você seja um melhor profissional. No empreendedorismo, precisamos lançar mão de todos os recursos disponíveis para atingir os resultados desejados. Você está pronto? Então siga a leitura!

Autoconhecimento: processo fundamental para quem empreende

Quando vamos montar um negócio e empreender precisamos estar cientes do nosso propósito com o nosso trabalho, estabelecer quais são os nossos valores, entender nosso potencial e demandas de desenvolvimento. 


É necessário que os objetivos estejam claros e que se tenha um direcionamento de onde quer chegar. Isso só é possível com muito autoconhecimento. Ele possibilita a tomada de consciência das nossas limitações e permite o alinhamento da perspectiva pessoal e profissional. 


O empreendedor, sem autoconhecimento, sem compreender a si mesmo, tende a alimentar suas inseguranças e insatisfações, a se abalar mais com os percalços e pode até perder o rumo e o controle quando enfrenta dificuldades e lida com a comparação. Além disso, o autoconhecimento é uma maneira de maximizar o potencial. 

Vantagens do autoconhecimento na jornada de um empreendedor

No empreendedorismo, o autoconhecimento é uma estratégia que, além de contribuir para o seu desenvolvimento como profissional, ainda: 

  • ajuda a construir um negócio que esteja de acordo com os seus valores;

  • permite que você conheça as suas habilidades, o que precisa desenvolver e o que precisa delegar para ter sucesso;

  • possibilita uma liderança mais estratégica;

  • desenvolve a autoconfiança e contribui para uma tomada de decisão mais assertiva.

Como utilizar esse recurso a seu favor

Identifique o propósito e os valores do seu negócio

O seu nível de entrega dependerá da motivação que você tem para fazer o seu trabalho e construir a sua empresa. Para isso, é fundamental saber qual é o principal propósito do negócio, assim como os valores, além de garantir que eles estejam alinhados com os seus valores pessoais. 

Descubra as suas limitações e entenda o seu potencial como gestor

O autoconhecimento o ajuda a identificar quais são seus pontos fracos, que competências e habilidades você precisa aperfeiçoar e trabalhar e também mostra qual é o seu diferencial, o que você tem de melhor para desenvolver o seu trabalho.  

Aprenda a delegar o que você não domina

Nesse sentido, a estratégia mais inteligente para lidar com as suas limitações, além de traçar maneiras para desenvolvê-las, é delegar o que você não domina para profissionais competentes e especializados. Assim, os processos do seu negócio serão executados com mais assertividade e fluidez, gerando melhores resultados do que se você ficasse batendo cabeça em áreas em que tem dificuldade. 

Como o autoconhecimento pode ajudá-lo a ser um líder melhor

Para diversos gestores e empreendedores liderar é um grande desafio, principalmente no início do empreendimento, pois muitos têm dificuldades de delegar, confiar em uma equipe e compartilhar conhecimento.


Nesse contexto, o autoconhecimento é a ferramenta mais indicada para ter sucesso em uma posição de liderança. Isso porque nessa relação com o outro, antes de mais nada, é preciso ter consciência de si mesmo. Só assim você aprenderá a confiar em si e no próximo.  


Para um líder, é necessário ter jogo de cintura para lidar com conflitos, inteligência emocional, capacidade de relacionamento e visão estratégica. A realidade é que todo mundo quer ser chefe ou dono de negócio, mas poucos estão dispostos a se desenvolver para encarar os desafios que a posição demanda. Nesse ponto, se você quer ter sucesso como líder, o autoconhecimento é primordial, pois o ajuda a identificar as suas inseguranças e a superá-las, permitindo que se aflore a sua melhor versão. 

Ferramentas e estratégias para conhecer a si mesmo e seu perfil profissional

1. Faça uma autoavaliação

Autoavaliar-se não é uma tarefa fácil. Muitas vezes, temos uma percepção bastante subjetiva de nós mesmos. Um exercício interessante é se fazer algumas perguntas e responder com reflexão e sinceridade. Alguns exemplos: “Quais são as minhas motivações?”; “Quais os meus pontos fortes, pontos fracos, e o que acredito que preciso desenvolver?”; “O que ainda preciso aprender?”; “Quais os meus principais desafios?”; “Aonde desejo chegar?”.

2. Peça feedbacks

No autoconhecimento, é importante mapearmos todos os lados. Existem muitos comportamentos e caraterísticas incorporadas em nós que não conseguimos enxergar, por isso é importante ter a visão de outra pessoa, que nos auxilie nesse processo. Na esfera profissional, busque pedir feedbacks de pessoas em quem confia e que possam contribuir com o seu desenvolvimento. Um chefe ou um colega, por exemplo, podem ajudar nesse caso. 

3. Invista em cursos e leituras

É importante expandir a mente. Qualquer recurso nesse sentido, que podem auxiliar no processo de autoconhecimento, são bem-vindos. Faça cursos e invista em leituras cujo propósito seja o autoconhecimento. Como esse assunto está muito em voga, opções não faltam. Somente certifique-se que são de profissionais capacitados e confiáveis.

4. Conte com suporte profissional

Ajuda profissional também é de grande valia e traz resultados de maneira assertiva, afinal profissionais especializados em comportamento e desenvolvimento humano têm conhecimento, recursos e ferramentas para guiá-lo da melhor maneira nesse caminho. Psicoterapia e mentoria, feitos com profissionais especializados e com experiência comprovada, são estratégias eficazes para o autoconhecimento. 


Como conclusão, gostaria de destacar que o autoconhecimento é um processo contínuo, é uma jornada na qual não há linha de chegada. Quanto mais você se conhece, mais recursos e mais segurança terá para liderar e empreender. E maiores são as chances de se alcançar o sucesso!


Bom trabalho e grande abraço.


Autor: Prof. Adm. Rafael José Pôncio

Publicado em: 29 de março de 2022

Especial: artigos no Espaço Opinião CRA-RJ

Link fonte: https://espacoopiniao.adm.br/o-desenvolvimento-do-autoconhecimento-como-ferramenta-de-lideranca-e-como-ele-pode-ajuda-lo-a-empreender-melhor/




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terça-feira, 12 de abril de 2022

Como valorizar a sua reputação empreendedorial

Como valorizar a sua reputação empreendedorial: veja maneiras de construir uma boa imagem pessoal e ser exemplo de boa conduta no ambiente de trabalho


Para alcançarmos o sucesso nos negócios, diversas competências e habilidades precisam ser desenvolvidas. Além do conhecimento técnico, é extremamente relevante priorizar também o aprimoramento de habilidades comportamentais e trabalhar fatores como imagem pessoal e reputação. 


Podemos dizer que, no empreendedorismo, valorizar a reputação tem um peso ainda maior, ela é fundamental para o sucesso de um negócio. Afinal, quando um produto ou serviço é novo, sem parâmetros de uma grande empresa por trás, as pessoas só tendem a consumir e indicar o que de fato confiam. 


A reputação de uma empresa é construída ao longo do tempo e ao menor deslize tudo pode ruir. Por isso, enquanto empresário, é fundamental ter cuidado com a qualidade do produto/serviço, cumprimento dos prazos estabelecidos e prestação do melhor atendimento. Caso contrário, o cliente certamente deixará de consumir e recomendar a sua marca para outras pessoas. Saiba que ela está em constante avaliação e o resultado depende da percepção positiva ou negativa que os consumidores têm da sua entrega. 


E qual a diferença entre reputação e imagem pessoal? Como fazer uma boa gestão de imagem e construir a reputação enquanto profissional e como marca? Qual a melhor maneira de ser reconhecido no mercado, pelos clientes e concorrentes? Essas respostas você encontra neste artigo. Acompanhe a leitura para saber mais!

Reputação X Imagem pessoal

Frequentemente, esses dois conceitos são empregados como sinônimos, mas são diferentes e, em muitos casos, precisam ser trabalhados em conjunto no campo profissional. 


A imagem pessoal está relacionada à maneira como uma pessoa se apresenta e à percepção que as outras pessoas têm dela. Essa imagem não se restringe somente a parte estética e visual (que também é importante), mas também a forma de se expressar e se comunicar, a maneira de agir e se portar diante de determinadas situações. Assim, é importante construir uma imagem que seja condizente com o que você deseja passar as outras pessoas, como quer que elas lhe enxerguem. O mesmo vale para a imagem de uma empresa ou marca e a forma como pretende que ela reflita no público. 


A reputação vai além e está ligada à maneira de conduzir o negócio e retrata seu caráter profissional por meio das suas atitudes e forma de atuar. É independente da imagem e leva tempo para ser construída e estabelecida. Por isso mesmo pode ser mais difícil de mudá-la, já que ela é baseada na questão da confiança. Se esta é quebrada, um trabalho enorme é demandado para reverter a situação e conquistar a reputação de volta. 

Por que é importante para um gestor valorizar a reputação profissional e construir uma boa imagem?

A imagem pessoal é como um “cartão de visitas”, é o que apresenta um profissional e se for bem trabalhada pode abrir portas e gerar oportunidades. Como empreendedor ou gestor, a forma como você se apresenta para clientes, parceiros e liderados pode fazer toda a diferença.


Já valorizar a reputação e desenvolvê-la de maneira adequada é essencial para se tornar referência, conquistar a confiança do mercado, ter uma carreira sólida e fazer com que seu negócio prospere e tenha relevância junto ao público. 

Passos para estabelecer a sua imagem pessoal com sucesso 

1. Cuide da aparência e se atente ao dress code mais adequado ao ambiente

É importante dar atenção à aparência e vestir-se conforme a proposta do ambiente de trabalho, já que existem áreas que demandam mais formalidade, enquanto outras são mais informais. Não se pode ignorar esse fator mesmo quando se é o dono da empresa. Lembre-se que a sua imagem depende da percepção que os outros têm de você.

2. Trabalhe a sua comunicação

A maneira de se comunicar também vai refletir a sua imagem. Cuide da linguagem, da forma como se dirige às pessoas e busque passar a mensagem com clareza e objetividade.

3. Preste atenção em sua linguagem corporal

A comunicação não verbal também é importante. Portanto, cuide da sua postura e da sua linguagem corporal ao se comunicar com as pessoas. Tenha os ombros alinhados, a postura confiante e procure mostrar-se receptivo, sem braços cruzados e tensão no rosto. 

Como desenvolver e construir a sua reputação como profissional

Priorize a ética acima de tudo

Como já destaquei, uma das bases da construção da reputação é a confiança. Por isso, é fundamental que a ética permeie a sua atuação profissional. Agir sempre com integridade, honestidade e idoneidade, qualquer que seja a situação, certamente contribuirá para que você tenha uma reputação inabalável.  

Seja firme em seu posicionamento, tenha proatividade e atitude

Tenha uma abordagem proativa, seja eficiente e crie soluções. Assim, determine o seu posicionamento no mercado e trabalhe para consolidar a sua credibilidade. 

Seja confiável e honre os compromissos estabelecidos

Para o estabelecimento de uma boa reputação, é essencial ter comprometimento e honrar os compromissos assumidos. Honre o combinado e não deixe clientes e parceiros na mão. A falta de comprometimento mina a confiança e contribui para que se tenha uma visão negativa do seu negócio que, como eu disse, é difícil reverter. 

Trabalhe sempre com consistência e coerência

A reputação pode levar tempo para ser construída, por isso é importante ser consistente ao fazer o seu trabalho durante todo o tempo, atuando de maneira contínua e agindo com coerência, pensando em um resultado a longo prazo. 

Busque ser uma referência em sua área de atuação 

Como empreendedor, dominar determinado ramo no mercado e ser muito bom em um campo específico, tornando-se uma referência e elevando a sua reputação na área, pode fazer com que você se destaque e tenha sucesso em seu negócio. Por isso, empenhe-se em se diferenciar e a gerar valor para os produtos ou serviços oferecidos, sempre passando credibilidade.


Pensar a forma como você quer ser reconhecido no mercado envolve prezar pela imagem pessoal, buscando fortalecê-la, e valorizar a reputação, trabalhando com consistência para mantê-la diante de todos os desafios de uma gestão. Sendo assim, o meu conselho é não medir esforços para cuidar da sua reputação e da maneira como você e sua empresa são vistos pelos pares, clientes, parceiros e concorrentes. É algo que pode ser essencial para a consolidação da sua jornada empreendedora e da sua marca.


Bom trabalho e grande abraço.


Prof. Adm. Rafael José Pôncio




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