terça-feira, 26 de julho de 2022

Louis Vuitton, o aprendiz que construiu um Império

Como nasce um negócio de sucesso? Podemos responder essa pergunta de diversas maneiras, mas certamente exige-se, basicamente, dois requisitos: inovação e um excelente conhecimento do seu ramo. É evidente que junto a essas duas qualidades há uma série de habilidades e modelos de gestão, mas em síntese nenhum bom empreendedor pode-se dar ao luxo de não conhecer bem seu segmento e muito menos abrir mão de criar algo novo, ajudando assim a melhorar a qualidade de vida dos seus clientes e diferenciando seu produto ou serviço.

Frente a isso, hoje conhecemos um dos empreendedores que foi um mestre na inovação e conhecimento do seu público. O resultado dessas duas qualidades não poderia ser menos do que o nascimento de uma das marcas mais famosas dos nossos tempos. Estamos falando de Louis Vuitton, o empreendedor que criou um império a partir das suas bolsas.

Quem foi Louis Vuitton?

A história do nosso empreendedor começa em uma pequena aldeia francesa chamada Jura, em 1821. Sua família tinha uma tradição no ramo da carpintaria, sendo grande parte dos seus familiares carpinteiros ou moleiros. Assim, do ponto de vista do jovem Louis, sua vida já estava toda desenhada: seguiria a profissão do pai e se tornaria também um carpinteiro. 

Pouco sabemos sobre seus primeiros anos de vida, mas podemos deduzir que a vida do infante Vuitton não devia ter uma grande perspectiva de mudança daquela realidade. Colocamos dessa maneira pois, por mais que não aceitemos totalmente a ideia de que o meio influencia o indivíduo, é perceptível que para um jovem do início do século XIX, vivendo na modesta região de Jura, não havia tantas opções a desfrutar, sejam elas de modelos de negócio a empreender ou profissões a seguir.

Porém, como a vontade do Ser Humano é capaz de mover montanhas, sabemos por meios das fontes históricas que por volta dos anos 1840 Louis Vuitton mudou-se para Paris. Seu objetivo nesse tempo era tornar-se um aprendiz de um fabricante de baús e dominar a arte da fabricação destes. 

O desejo de conhecer essa arte e saber como os pesados baús de viagem eram construídos o levou a formalizar seu ofício como um construtor dos objetos de madeira. À medida que dominava a técnica de construção, porém, Louis Vuitton percebeu que o produto que ele construía carecia de muitas melhorias, o que lhe rendeu diversas ideias de como poderia aperfeiçoar algo que já existia na tradição europeia.

Lembremos, antes de aprofundarmos no sucesso de Louis Vuitton, um pouco sobre o contexto em que o nosso empreendedor estava inserido. A sociedade francesa do século XIX começava a aspirar ares do que ficou conhecido como a Belle époque. Após décadas precisando restabelecer-se da revolução francesa e das guerras napoleônicas. Assim, a classe mais afortunada da sociedade francesa passava a desfrutar de viagens e para isso levava em suas carruagens os pesados baús contendo roupas, objetos pessoais e acessórios.

Apesar de cultivar um estilo de vida “moderno” para a época, toda a sociedade europeia utilizava os baús de viagem, um item que remontava à França do Antigo Regime e dos reis absolutistas. Pela necessidade logística de guardar os pertences, esse instrumento pouco havia mudado com os séculos e até então ninguém havia pensado que poderia-se construir um produto mais simples para facilitar o transporte dos bens pessoais.

O empreendedor Vuitton quebrando paradigmas

Compreendendo esse cenário e desejando mudá-lo, somente em 1854, cerca de dez anos após tornar-se aprendiz, Louis Vuitton abriu uma pequena oficina para tentar achar uma solução mais confortável para os viajantes. Foi assim, com um pequeno desejo que nascia, quase “sem querer”, uma das principais marcas de bolsas e malas do mundo. É notável, porém, que a iniciativa de Vuitton não teve nada de acaso, pois após uma década trabalhando no ramo o aprendiz certamente conhecia não apenas sua clientela, mas também as dificuldades e reclamações enfrentadas pelo produto.

Dessa forma, não a toa a primeira inovação realizada por Vuitton foi no material que revestia as malas: ao invés do couro, que ficava pesado e bastante úmido, prejudicando a madeira, passou a utilizar tecido impermeável. Esse ajuste por si só tornou as malas de Louis Vuitton extremamente atraentes para o público pelas suas vantagens comparadas às malas tradicionais. Nesse primeiro modelo também havia um reforço metálico, principalmente nas pontas das malas, para que seu encaixe não soltasse facilmente com o tempo de uso.

Não precisamos dizer que a criação de Louis Vuitton foi um sucesso. Esse é, sem dúvida, um caso emblemático de como a visão do empreendedor faz toda a diferença na gestão de uma empresa. 

Para muitos, confortáveis na venda natural das malas, não existia uma preocupação real com a experiência do cliente, muito menos na melhoria do que estava sendo oferecido. A mentalidade de conforto e pouco esforço, traduzida na reprodução quase automática de uma maneira de fabricar os baús, deram a Louis Vuitton a oportunidade de mexer não apenas com o mercado, mas tornar-se um exemplo de como uma empresa deve olhar para os seus serviços: sempre buscando aperfeiçoar a experiência dos seus clientes e seguir inovando

Empreendendo através das gerações e sucedendo a paixão em servir

De maneira quase espontânea, muitos dos concorrentes de Louis Vuitton começaram a copiar seu engenhoso produto para conseguir manter-se no mercado. Assim, a cada inovação realizada por Vuitton nas bolsas e malas, tornando-as mais práticas, logo em seguida todos os concorrentes adaptavam seus produtos e faziam cópias. Como então resolver esse problema? Afinal, como o cliente diferenciaria uma mala da outra? A solução veio não pelas ideias de Louis Vuitton, mas do seu filho, Georges Vuitton.

Após a morte do seu pai, em 1892, Georges assumiu a empresa, que nesse novo momento já era conhecida não apenas na França, mas em toda a Europa. Ainda assim, o velho problema continuava a existir. O filho de Louis Vuitton encontrou uma solução genial para diferenciar de vez seu produto da concorrência. Em 1896 ele ordenava que a partir daquela data todos os produtos da Louis Vuitton deveriam ter duas letras, as iniciais da empresa. Assim nascia a logomarca, uma solução pela qual até hoje reconhecemos uma mala ou bolsa desta gigante do mercado da moda.

Além disso, podemos compreender como esse espírito empreendedor foi sendo forjado na família Vuitton, visto que George também ensinou aos seus filhos a gerenciarem a empresa e dedicarem-se aos negócios. Isso mostra que, em certo grau, o meio em que crescemos nos ajuda a desenvolver certas habilidades e aptidões, mas que também podemos traçar nosso próprio destino e superar as dificuldades do contexto em que vivemos. Assim, empreender se torna uma decisão diária entre mudar a realidade em que estamos inseridos ou sucumbir a ela.

A empresa ficou nas mãos da família Vuitton até 1977, quando Henry Recamier, um famoso executivo, assumiu o comando da empresa. Apesar disso, o nome de Louis Vuitton, mais de um século após a sua morte, segue como um dos mais importantes empreendedores da história da França, sinônimo não apenas de luxo, mas de inovação e capacidade de transformação. Assim, o jovem garoto que saiu da região de Jura ganhou não apenas o mundo, mas seu lugar na história.

Bom trabalho e grande abraço.

Prof. Adm. Rafael José Pôncio



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