terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Prof. Rafael José Pôncio - Johannes Gutenberg, o pai da Imprensa

Uma antiga frase diz que “conhecimento é poder”. No mundo atual alguns podem achá-la “clichê” e até mesmo confusa, uma vez que a palavra “conhecimento” pode adquirir diversos sentidos, desde informações acerca de algo até mesmo um sinônimo para sabedoria. 

Entretanto, se voltarmos um pouco no tempo perceberemos o valor e peso do acesso ao conhecimento para uma civilização. Na Europa medieval, por exemplo, somente a Igreja possuía bibliotecas e o acesso a livros estava restrito ao clero e alguns nobres. Não por acaso uma das profissões mais nobres dentro do mundo eclesiastico era o de copista, que era exercido pelos monges em seus mosteiros. Assim, a velocidade das informações e a possibilidade de difundir novas ideias era demasiadamente lenta e não circulavam facilmente pela sociedade e nem por todas as pessoas. 

Somente no século XV, na região que hoje é a Alemanha, dão-se os primeiros passos para superarmos essa limitação na difusão de informações. Graças a um jovem empreendedor nascido em Mainz chamado Johannes Gutenberg, também conhecido como “O pai da imprensa”. Sua visão inovadora e força de colocar-se à frente do seu tempo foram alguns dos motivos que possibilitaram revolucionar o modo como o Ocidente medieval concebia a produção de livros e sua distribuição. Por isso hoje falaremos um pouco sobre esse grande empreendedor que mudou a História da humanidade.

Conhecendo o pai da imprensa

Johannes Gutenberg nasceu entre 1395 e 1397 em uma Europa tomada pelo pensamento cristão, mas que já apresentava sinais de mudança e modernização com um ainda modesto movimento renascentista. Filho de um importante comerciante, provavelmente Gutenberg teve uma infância confortável, mas que o exigiu desde pequeno uma percepção para o trabalho. Segundo alguns historiadores, seu primeiro trabalho foi como ourives em Mainz, e foi nesse ofício que o jovem inventor aprendeu técnicas de cunhagem e marcações com prensa. Ainda assim, sabe-se muito pouco sobre as primeiras décadas de vida do pai da imprensa.

Entretanto, existem algumas evidências sobre como possivelmente ele desenvolveu sua principal invenção. Sabe-se que a juventude de Gutenberg viveu próximo dos monastérios e que havia uma relação amistosa com o clero local. Além disso, sabemos que ele foi alfabetizado - um fato raro para época -, logo, sabia ler e escrever. Provavelmente o nosso inventor entrou em contato muito cedo com os livros e viu de perto o trabalho de monges copistas. Ao mesmo tempo, devido a profissão de seu pai, Gutenberg pôde conhecer, muito provavelmente, as invenções vindas do Oriente. Vale lembrar que em pleno século XV as rotas comerciais com a Índia e a China já estavam bem definidas, sendo utilizadas por diversos comerciantes de todas as partes da Europa. Visto isso, é possível entender que a inspiração de Gutenberg tenha surgido a partir de uma motivação pessoal, o gosto pela leitura, mas também pela oportunidade de melhorar a prensa chinesa, que existia há centenas de anos, porém seu funcionamento não era eficiente para produção em larga escala.

Tratando disso, vale a pena refletirmos sobre a natureza desse espírito inovador que nasce em alguns homens e mulheres. No geral, ele é despertado a partir de uma necessidade pessoal, que nada mais é do que um desejo de algo que eu gostaria de ver no mundo. Entretanto, quando expandimos essa ideia e observamos as necessidades ao nosso redor, a inovação passa para uma nova etapa, que é a capacidade de empreender. Nesse sentido, o inventor que busca que a sua ideia ajude a todos é, consequentemente, um empreendedor. Bem sabemos que existem ainda outras qualidades e habilidades necessárias para empreender com sucesso, porém, em essência não há empreendimento que não busque melhorar ou ajudar a transformar uma realidade social.

Inspirado pela invenção chinesa e seus ideais, em 1428 Johannes Gutenberg viajou para a cidade de Estrasburgo à procura de novos conhecimentos para realizar seu sonho. Lá ele criou, primeiramente, os tipos móveis, que nada mais são do que as peças com letras grafadas em metal para fazer a impressão no papel. Os tipos móveis produzidos por Gutenberg foram feitos em metal, o que os diferenciava dos chineses, que eram feitos em madeira. A vantagem de utilizar o metal estava na higienização para novas impressões e na resistência, além de suportar uma maior pressão. A experiência como ourives certamente exerceu influência na escolha do material, além de facilitar o trabalho de Gutenberg, entretanto, a etapa mais desafiadora ainda estava por vir: fazer uma prensa capaz de gravar os caracteres de forma rápida e legível.

A prensa de Gutenberg: Do sonho ao dilema

Após alguns anos em Estrasburgo, Gutenberg voltou para sua cidade. Munido dos conhecimentos necessários para sua invenção, ele procurou investidores e acabou formando uma sociedade com Johannes Fust, um ourives e banqueiro de Mainz. Juntos eles montaram uma fábrica e Gutenberg começou a fazer impressões simples, pois ainda testava um modo eficiente e rentável para sua invenção funcionar.

Apesar de ser um sucesso, nos primeiros anos o empreendimento dos dois alemães não gerou nenhum lucro, o que incomodou profundamente Fust. Observando seu dinheiro ser “jogado fora”, o banqueiro acabou entrando com um processo contra Gutenberg e tirando-lhe os direitos sobre a fábrica, as máquinas e a própria prensa que ele havia inventado.

Aqui se apresenta outro ponto relevante para refletirmos sobre a intenção por trás de um empreendimento. Sabemos que nos dias atuais é relativamente comum buscarmos empreender com a única intenção de obtermos lucro. Vivemos, afinal, em um mundo que busca e produz com base na lucratividade. Entretanto, a verdadeira natureza de um empreendedor não é necessariamente o lucro, mas sim apresentar soluções aos dilemas cotidianos. Nesse sentido, ao dar respostas positivas para um problema, o lucro torna-se a consequência natural. No caso de Fust e Gutenberg, nota-se as diferentes intenções de cada um. Certamente Gutenberg visava lucrar com sua fábrica, mas acima disso existia um sonho, uma ideia que o levou a criar sua invenção. Fust, por sua vez, vislumbrou uma oportunidade de negócio e quando este não deu o retorno esperado tomou-lhe das mãos do inventor.

Por ironia ou justiça da História, Gutenberg consagrou-se como o pai da imprensa e, mesmo perdendo sua invenção, os livros que ele ajudou a imprimir lhe deram o reconhecimento merecido. Hoje existem museus e instituições com o seu nome, além da famosa “Bíblia de Gutenberg”, o primeiro livro a ser impresso em sua totalidade usando a prensa móvel. Por outro lado, Johannes Fust, apesar de ter conseguido fazer dinheiro com a fábrica, quase foi linchado por copistas em uma ocasião e, em grande parte, seu nome é lembrado apenas como um coadjuvante dentro desse grande empreendimento.

O pai da imprensa não morreu milionário, nem viveu uma vida luxuosa como muitos poderiam imaginar. A bem da verdade, Johannes Gutenberg viveu humildemente com uma pensão que lhe fora dada por um membro da Igreja até sua morte, em 1468. Entretanto, Parece-nos, por fim, que a História não deixou o nome de Johannes Gutenberg se esvair pelas suas lacunas e deu-lhe o maior dos prêmios: contribuir para o avanço da humanidade.

Esse foi mais um dos Grandes Empreendedores da História. Siga conosco para saber mais sobre grandes personalidades que mudaram o mundo. 

Bom trabalho e Grande abraço! 

Prof. Adm. Rafael José Pôncio




Conheça também:

Guglielmo Marconi, o inventor do rádio



        Reprodução permitida, desde que mencionado o Nome do Autor e o link fonte.       

Nenhum comentário:

Postar um comentário