terça-feira, 1 de junho de 2021

Prof. Rafael José Pôncio - John Davison Rockefeller, o homem mais rico da História

o homem mais rico da história

No mundo dos negócios é natural que se procure o lucro, afinal, todos nós, em maior ou menor grau, necessitamos de uma renda para sobrevivermos e também manter nossos empreendimentos ativos. Porém, o que faríamos se conseguíssemos atingir um patamar tão alto em nossos recursos que não fosse mais preciso investir ou mesmo trabalhar para ter tudo que desejássemos? Esse é um questionamento que muitos de nós podem se fazer, porém, na prática, poucos foram os que viveram essa realidade. Buscando refletir sobre isso, hoje no 'Grandes Empreendedores da História' falarei sobre o homem que ainda hoje pode ser considerado o mais rico do mundo: John Davison Rockefeller. 

Quem foi Rockefeller? 

A história do nosso personagem de hoje começa nos Estados Unidos do século XIX, mais precisamente no ano de 1839. Ao contrário do que se imagina, John Davison Rockefeller teve uma origem humilde. Seu pai, Avery Rockefeller, trabalhava como madeireiro e sua mãe dedicava-se a cuidar dos filhos . Além disso, grande parte da infância do jovem Rockefeller foi longe de sua figura paterna, uma vez que Avery passava longas temporadas fora de casa devido ao trabalho e também por seu jeito de viver. O pai do magnata do petróleo era conhecido por atos promíscuos e de constituir outra família.

Criado sob influência quase única da sua mãe, Eliza, talvez tenha sido essa a grande vantagem de Rockefeller na sua formação enquanto cidadão. Sua mãe era uma religiosa fervorosa e, como é de se esperar, buscou ensinar tudo que compreendia dos valores cristãos aos seus filhos. Desse modo, Rockefeller desde cedo desenvolveu laços profundos com o cristianismo e seus princípios. Atuante na congregações Batista, foi graças a essa formação moral que, mais tarde, ele dedicou-se ao filantropismo e buscou contribuir positivamente para a sociedade. 

Quanto a isso, é interessante refletirmos sobre alguns pontos. Um deles é o quanto a formação de temos em nossos núcleos familiares nos influencia de forma positiva e negativa. Há, atualmente, milhares de crianças que crescem sem a figura paterna ou materna em suas casas, por diversas razões. Muitas vezes fala-se que os problemas que vivemos enquanto adultos são o resultado desse “abandono” por algum dos nossos pais. Porém, analisando o caso de Rockefeller e sabemos que ele não pode ser considerado a regra, vemos que ele conseguiu, dentro do possível, superar a falta do pai. Além disso, formou o seu caráter a partir dos melhores valores que seu núcleo familiar podia oferecer, visto que seu pai não foi a melhor das influências para o jovem Rockefeller. Sendo assim, é interessante perceber como a decisão individual pode também nos potencializar e superar as adversidades que o meio nos impõe. 

Assim, ainda na infância, nos parece que John Davison Rockefeller já apresentava uma característica fundamental de todo empreendedor: a resiliência. Resiliência, a grosso modo, é a capacidade de suportar as adversidades e superá-las, ou seja, de não permitir que os problemas da vida nos “quebre”.

A adaptabilidade de Rockefeller nos negócios foi fundamental para o seu sucesso, além da coragem em arriscar-se em novos empreendimentos e sua visão frente aos problemas e necessidades dos EUA na segunda metade do século XIX. Entretanto, todos nós sabemos que nenhum empreendedor nasce pronto para os desafios que lhe aguardam. O jovem Rockefeller iniciou sua carreira aos 16 anos, trabalhando por um salário de 20 dólares por mês sendo assistente de escritório. Com isso, juntou um pequeno capital ao longo de cinco anos e abriu uma empresa de alimentos junto com seu parceiro, Maurice Clark.

Assim, no começo dos seus vinte anos Rockefeller iniciava sua jornada no mundo dos negócios. Ele ganhou experiência com sua primeira empresa, mas sua vida mudaria a partir dos anos 1860 quando ele passou a investir em um empreendimento ainda novo para a sua época: o Petróleo. 

Tornando-se o magnata do Petróleo 

Para entendermos como Rockefeller se tornou o grande magnata do petróleo é imprescindível que saibamos um pouco sobre o contexto histórico dos Estados Unidos nesse período. Durante quatro anos (1861 - 1865) os EUA encontraram-se em um dos seus momentos mais delicados enquanto país, pois vivia-se uma guerra civil, a famosa “Guerra de Secessão". O foco principal da guerra era a libertação dos escravos, tema que dividia opiniões entre a União (a favor da libertação) e os confederados (defensores da manutenção da escravidão). A guerra mergulhou o país em um caos social e muitos, que nada tinham a ver com as relações escravocratas da época, foram arrastados para os campos de batalha. 

Entretanto, Rockefeller conseguiu não entrar em conflito e dedicar-se durante esses anos em sua recém-fundada empresa, uma refinaria de petróleo. Assim, enquanto grande parte dos EUA observava atentamente o desenrolar do conflito, John Davison passava a entender melhor sobre seu novo segmento e já enxergava, nesse período, que o futuro teria as cores do óleo diesel e da gasolina. Antes da utilização do Petróleo, como sabemos, usavam-se para a iluminação pública e fabricação de outros produtos o óleo de baleia, um recurso retirado da caçada desses grandes mamíferos marinhos. Porém, Rockefeller percebia que o óleo de baleia não seria viável ao longo prazo, uma vez que tornava-se cada vez mais escasso e de difícil acesso. Assim, sua solução para esse problema de abastecimento foi passar a utilizar o petróleo como matéria-prima e combustível. 

O que para os dias atuais parece óbvio, porém, durante os anos 1860 era praticamente inimaginável. O uso do óleo de baleia estava consolidado a pelo menos um século e apostar em outro recurso seria como um tiro no escuro. Porém, um dos grandes atributos de um empreendedor é sua capacidade de enxergar mais longe, o que está para além do “óbvio”. Assim, em 1865, Rockefeller decidiu arriscar-se mais uma vez e comprou a parte do seu sócio na refinaria que havia aberto apenas dois anos antes. Esse momento entrou para a História do magnata do petróleo como, em suas palavras, “o dia que determinará minha carreira”. 

Para conseguir comprar a outra parte da refinaria, Rockefeller precisou pegar empréstimos e endividar-se demasiadamente. Caso o petróleo não se tornasse viável, certamente a falência chegaria a passos largos até a porta de John. Mas não foi o que ocorreu. A aposta de Rockefeller gerou frutos e seus lucros passaram a crescer rapidamente. Com o fim da guerra de secessão, o país precisava restabelecer-se economicamente, o que tornou, para Rockefeller, um campo de oportunidades que o magnata soube aproveitar. A “tomada do Oeste” ocorrida no fim do século XIX possibilitou a exploração de novas terras e o avanço das ferrovias, levando assim de forma célere mercadorias para exportação por todo o país. 

Dentro desse crescimento nasceu a principal companhia de Petróleo do mundo, comandada por Rockefeller: a Standard Oil Company. O papel da empresa estava em atuar em diferentes fases do petróleo: desde a sua extração até o transporte e refinamento. Assim, Rockefeller dominava todas as etapas do processo, monopolizando toda a indústria petrolífera dos Estados Unidos. 

O homem mais rico do mundo 

A guinada nos negócios de Rockefeller veio como fruto da sua visão. Apoiado pelo contexto histórico que viveu, seu negócio expandiu ao ponto de, à sua época, sua fortuna ser avaliada em 1,4 bilhão de dólares. Isso correspondia a 1,6% do PIB dos Estados Unidos. Nos dias atuais podemos até considerar que essa não é uma quantia assustadora se comparada com outros grandes empresários da atualidade. Porém, se convertessem esses números para os dias atuais, os “humildes” 1,4 bilhão se converteriam em 418 bilhões de dólares. Além disso, as diferentes empresas que foram criadas a partir da Standard Oil Company somam um valor de mercado de aproximadamente 2 trilhões de dólares.

Cá entre nós, esse é um patrimônio praticamente imbatível e isso nos leva ao questionamento do começo do texto: o que fazer com tanto dinheiro? A resposta de Rockefeller para essa questão foi a filantropia. Sua formação cristã desde sempre o impulsionou para à caridade e a ajudar a sociedade. Grande parte dos lucros obtidos por Rockefeller foram destinados a universidades, a igrejas de sua congregação e a pesquisas científicas. Doenças como a febre amarela, por exemplo, só foram erradicadas graças aos esforços e apoio financeiro do magnata do Petróleo. 

Assim, essa talvez seja uma excelente resposta para o que fazer com aquilo que tenho em abundância: doar a quem precisa. Claro, estamos falando de recursos financeiros e isso, talvez, seja o mais fácil que podemos doar. Pensando nessa ideia, podemos aplicar essa percepção em diversas áreas da nossa vida, seja financeira, emocional ou pessoal. No fim, dedicar-se aos outros e colocar o que temos de melhor à serviço do outro é a maneira mais inteligente de dispormos nossos recursos, seja em que esfera for. Por isso, Rockefeller não é um empreendedor de sucesso por suas características e lucro, mas, acima disso, por manter seus princípios e valores humanos ao longo de sua jornada. 

Bom trabalho e grande abraço.

Prof. Adm. Rafael José Pôncio



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