terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Prof. Rafael José Pôncio - Walt Disney, tornando a magia um negócio


A imaginação dos seres humanos é um campo infinito de possibilidades. Em nossas mentes criamos as mais diversas histórias, personagens e situações. Graças a essa capacidade somos os únicos seres da natureza que conseguem produzir arte, construir edifícios e implementar novas percepções em nossas vidas. A imaginação é, como bem sabemos, uma das ferramentas mais úteis para um empreendedor. É graças à possibilidade de criar algo novo que podemos avançar em nossos negócios e levar nossas ideias para o mundo concreto. Desse modo, a imaginação não é um pré-requisito apenas dos artistas, mas também de toda pessoa que pretende ser bem sucedida em suas inovações.

Dentro do mundo do empreendedorismo hoje falaremos de um homem que foi, sem dúvidas, um dos que mais soube utilizar-se da imaginação ao seu favor. Não apenas para criar personagens, histórias ou mesmo universos distintos, mas trazê-los para a vida real e mostrar que a arte, quando bem realizada, é capaz de ser um campo extremamente lucrativo. Estamos falando de Walter Elias Disney, ou simplesmente Walt Disney, o homem que fez da magia um negócio.

Biografia Walt Disney


Para os que conhecem Walt Disney apenas pelas suas obras e grandes empreendimentos não imaginam as dificuldades que esse grande artista passou. Nascido em 1901, Walt Disney, ao contrário do que pensamos, vem de uma família humilde no interior do Missouri e grande parte de sua infância esteve entre os severos castigos do seu pai e o trabalho na fazenda em que vivia. Esses dois aspectos dos primeiros anos do criador da Disneylândia foram difíceis, pois não existia um momento para que o pequeno Walter fosse o que deveria ser: uma criança. É notável como nossas origens definem, para o bem ou para o mal, nossa maneira de conduzir a vida. Dizemos isso porque o fato de não poder viver externamente seu lado infantil, momento em que aprendemos sobre contos de fadas e demais brincadeiras próprias do mundo de uma criança, fez com que essa parte “reprimida” de Walt Disney fosse aflorada com o tempo.

Tal como uma represa que não dá vazão às suas águas tende a arrebentar, a infância severa vivida por Walt Disney fez com que ele tivesse uma péssima relação com seu pai, porém, também fez com que a imaginação e a vontade de viver esse mundo encantado fosse colocado para fora somente em outro momento de sua vida. Não por acaso, ao chegar à maioridade sua principal escolha foi ingressar em uma escola de artes, a Kansas City Arts School. Todo o aspecto criativo contido no jovem Walter começou a ser bem direcionado nesse momento e, inevitavelmente, sua atenção voltou-se para as animações infantis, algo pouco relevante e quase desconhecido naquele momento.

Devemos lembrar que o período em que Walt Disney começou seus trabalhos, os anos 1920, o que hoje chamamos de “infância” era pouco reconhecido. As crianças não raramente eram vistas como mini adultos e o trabalho na mais tenra idade era algo comum. Assim, existia pouco espaço para uma programação de arte voltada para os pequeninos, mas foi justamente nesse vácuo do entretenimento que a capacidade de inovação e visão de Walt Disney tornou-se notável

Tornando sonhos em realidade


Após trabalhar em algumas agências de publicidade, Walter e seu irmão abriram sua própria produtora de animações, a “Laugh O-gram”. Nela os irmãos animavam contos de fada, ou seja, davam vida e movimento às antigas histórias e narrativas, trazendo a magia destas histórias para as telas. As animações eram exibidas no cinema antes dos longa-metragens e passou a fazer enorme sucesso. O primeiro público de Walt Disney, portanto, não foram as crianças, mas sim os adultos.

O sucesso das suas primeiras animações impulsionou o sonho de Walter, mas a sua empresa acabou falindo Porém a experiência foi necessária para que ele encontrasse seu verdadeiro caminho, pois ao invés de desistir dos seus sonhos o jovem Walt Disney decidiu arriscar-se ainda mais. Junto com seu irmão foram até Hollywood, principal centro de produção de entretenimento dos EUA e iniciaram uma nova empresa: a Disney Brothers Animation Studios. Lá desenvolveram novas produções junto a uma distribuidora de filmes, porém, nem tudo foram flores. Após um enorme sucesso com duas animações, chamadas “Alice” e “Oswald, o coelho sortudo”, a vida trouxe um revés para os planos de Walter e seus parceiros. A distribuidora das animações conseguiu na justiça os direitos autorais das obras, tirando-lhes assim a propriedade intelectual dos desenhos e, além disso, os lucros destas.

Para qualquer negócio em ascensão esse é um duro golpe a ser absorvido. De repente a receita da Disney despencou, além de não poder mais veicular seus principais produtos. Um empreendedor comum certamente entraria em desespero - e com certa razão -, mas não foi o caso de Walter Elias Disney. Ao saber da trágica decisão judicial, ele apenas disse ao seu irmão que ficasse calmo, pois já tinha em mente um personagem de desenho animado que superaria qualquer outra. Esse personagem seria, de fato, a marca de toda a Disney: o Mickey Mouse.

Esse é o poder da imaginação: a partir dela podemos criar novos cenários e construir portas quando nos encontramos em becos sem saída. Imaginação, desse ponto de vista, não trata-se apenas de pensar em algo mirabolante, mas construir um cenário futuro e os passos necessários para se alcançar um objetivo. No caso de Walt Disney, o fato dele perceber que sua criatividade não poderia ser comprada, ou melhor, roubada, garantiu que ele encontrasse um meio de superar os seus problemas nos negócios. Tomando-o como exemplo, desenvolver essa habilidade de conseguir projetar soluções é uma característica importante para qualquer pessoa que pretende desenvolver um negócio, afinal, empreender também é saber solucionar problemas.

Atingindo novos patamares


Ao criar seu mais famoso personagem, Walt Disney fez com que a popularidade da Disney disparasse. Junto a isso, acompanhando as inovações do cinema, suas animações contam a própria história da sétima arte: os studios Disney foram os primeiros a trazer animações com som - antes todas seguiam o padrão do cinema mudo - além de serem as primeiras a usarem imagens coloridas. Desse modo, Walt Disney mostrou-se sempre na vanguarda das animações, o que lhe garantia uma qualidade superior aos dos estúdios concorrentes, inclusive daquele que roubou-lhe os seus primeiros personagens.

Mais uma vez a imaginação andava lado a lado com a inovação. Depois de décadas liderando as produções, Walt Disney realizou o seu maior sonho e, sem dúvida, a sua obra mais impactante: A Disneylândia. Cravado na memória coletiva do mundo Ocidental, a Disneylândia tornou-se muito mais do que um parque de diversões com os personagens do estúdio de Walt Disney. Ela é, de fato, a plasmação de um mundo mágico e fantástico dentro do mundo real que vivemos. Assim, a obra de Walt Disney saiu das telas e ganhou o mundo físico, sendo uma verdadeira obra de um mago. O maior parque temático do mundo arrasta milhões de pessoas todos os anos em suas atividades em seus 6 parques ao redor do mundo.

Assim, a Disney atingiu um patamar poucas vezes visto na história. Deixou de ser um negócio, uma simples empresa que presta um serviço ao mundo, mas passou a ser um modo de enxergar a vida, um ideal. Ao fundar a Disneylândia, Walt Disney fez a seguinte dedicatória:

“Para todos aqueles que vêm para este local feliz: Bem-vindo. A Disneyland é sua terra. Aqui, a idade revive as memórias do passado e a juventude pode saborear o desafio e a promessa do futuro. A Disneyland é dedicada aos ideais, sonhos e a dura realidade que criaram a América, com a esperança de que ela seria uma fonte de alegria e inspiração para todo o mundo.”

Em poucas palavras, esse é o sonho de qualquer empreendedor: mudar a realidade em que vive. Como sabemos, há diferentes modos de fazermos isso e também diferentes níveis. Podemos mudar uma realidade social a partir da economia, dos espaços físicos e de prestar um novo e bom serviço às pessoas. Porém, talvez a mudança mais profunda seja esta: a de manter vivo os sonhos das pessoas, mostrá-las que a magia desse mundo fantástico não está apenas nos contos de fadas ou nas telas, mas que elas podem vivenciá-las em sua forma de encarar a vida.

Dito isso, os mais de 30 prêmios recebidos por Walt Disney e sua fortuna são quase irrelevantes (apesar de importantes) frente à sua capacidade de fazer as pessoas voltarem a sonhar. Esse, sem dúvida, é o maior dos seus méritos. Por isso e muito mais ele não poderia deixar de constar nessa seleta lista de Grandes Empreendedores da História.

Bom trabalho e grande abraço.
Prof. Adm. Rafael José Pôncio


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